sábado, 19 de outubro de 2013

O Grande e Real Problema de um Videogame Tão Caro.

Não estou indignada. Milhões de jovens que estavam participando de protestos, com a bandeira do Brasil enrolada no pescoço até o mês passado, agora estão mais revoltados ainda. Papai disse que não vai comprar o novo PS4 porque vai custar o valor de uma moto de 125 cilindradas. Agora esses milhões de jovens usam a hashtag #vemprarua porque a price tag do seu brinquedo não cabe no orçamento da família de "classe média".

A culpa é sempre do "Estado malvadão" que impede o livre comércio, dizem os neoliberais arautos da coxinha. Mas acredito que isso deve ser analisado antes.
Na gringa, o mesmo videogame é vendido a $ 400. Aqui somados impostos de importação, PIS, ICMS, Cofins, IPI e substituição tributária o valor sobe de apenas R$ 865 para R$ 2.075,00.¹
Ok. E aonde estão os outros teóricos R$ 1925,00?
Oras, se o valor discutido aqui é o real valor de varejo e os comerciantes já estão tendo seu tão precioso lucro, da onde vem esse valor de R$ 4000,00?
Quem define o preço, antes do governo meter o bedelho é a SONY. Sim, essa multinacional que tem milhares de acionistas sedentos por dinheiro. O preço é definido por um subdepartamento de marketing e vai muito além de driblar a economia de um país e vender absurdamente. O preço é fator decisivo para definir um publico alvo.
Publico alvo, ou target, é o que define o sucesso das vendas de um produto. E sabe qual foi o publico alvo que a SONY definiu para seu Playstation 4? Isso mesmo, não foi você. Não foi a classe C, nem a classe B. Não foi o filho do comerciante da Santa Ifigênia. Também não foi o filho do corretor de imóveis. O novo playstation 4 foi feito para ser comprado pelo filho do Eike Batista.
O que mais dói nessa história toda é o peso moral e social que isso carrega consigo. Aqui é criado o mercado luxuoso da ostentação. PS4 não vai ser só mais uma letra de funk, vai ser um objeto de desejo. Assim como aquela Hornet foi para o rapaz baleado por um PM à paisana.²

Quem cria esse objeto de desejo enrola tudo num malote com glória, fama e status. Ter um PS4 não significa ter só um videogame de ultima geração, mas ter poder de compra e status para a aquisição de um. Isso te torna diferente dos demais. Daqui 3 meses aquele seu amigo mais cheio da grana vai te chamar na casa dele pra jogar no seu playstation novo. Óbvio que ele não vai só se divertir como também vai te impressionar. Assim como aquelas pessoas das propagandas fazem, impressionam.
Os que mais impressionam, mais chamam atenção, são os mais privilegiados pela nossa sociedade. O real problema desse privilégio, é o numero das vitimas causadas como consequência.

Hoje a classe média se sente como um moleque na favela, olhando pra vitrine da loja de tênis e faltando um chinelo no pé esquerdo. O que falta pra acordar é ver que tudo isso se dilui no principal motivo da violência: a desigualdade.
E quem cria esse ambiente hostil não é só a SONY, mas as empresas que controlam a população sem chance de revide.

Não tiro o direito ao protesto de ninguém, nem a indignação. Mas vamos ficar combinados: que tal começar a atingir os reais motivos e os principais causadores disso tudo antes de pensar só em como você pode não ser beneficiado?

Fontes:
¹ Olhar digital: Playstation 4: a matemática por trás dos R$ 4 mil. http://olhardigital.uol.com.br/noticia/38298/38298

² YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=xRtYAkUNnYs

domingo, 11 de agosto de 2013

O Machismo faz mal para os Homens Também

Se você entender um pouquinho que seja do feminismo, vai concordar com o título desse post. Mas caso não entenda, precisa saber que não são apenas as mulheres que são prejudicadas com o machismo.
Os homens que nascem dentro de uma cultura machista e são coordenados pelos "dogmas" e comportamentos de dominação machista nem imaginam o quanto também são oprimidos.
Começa na infância. Os brinquedos já devem definir uma profissão. Enquanto na minha infância eu aprendia a como ser uma dona de casa prendada cuidando de bonecas e lavando a louça na minha pequena cozinha de plástico, os meninos deveriam estar lutando com arminhas, apertando algum parafuso de plástico, dirigindo retroescavadeiras e brincando com sua enorme coleção de carrinhos miniatura. Minha sorte é que eu fui uma menina um pouco insistente demais com brinquedos unissex, e eu tive desde casa de bonecas à carrinhos e arminhas, até skate e estilingue. Mas um ser humano nascido homem, jamais poderia brincar de boneca, é completamente irracional que leva pais e mães a tomarem atitudes drásticas.

Os meninos crescem e tem que decidir sua sexualidade bem mais cedo e muitas vezes até definir seu destino e carreira na pré-adolescência. E não devem nunca ser atividades de "bicha". Afinal, que homem deve aprender a cuidar de cabelos, a costurar, a fazer artesanatos? O julgamento do sistema e do gênero sobre os homens é pesado e define um padrão comportamental desde muito cedo.
Homens não podem ter amigos íntimos do mesmo sexo. Se recusam a conhecer mulheres e homens interessantes que não atendem ao padrão de beleza estabelecido. Perdem a sensibilidade, porque o ato de chorar é uma atitude da fraqueza feminina. A pressão pelo sucesso e pela posição de macho alfa é tanta que é fácil que um homem se sinta impotente, incapaz e que fracasse constantemente. 

Você é homem e já nasce com o dever de procriação. Ou seja, se você também não atender ao padrão de beleza europeu provavelmente vai sofrer um bocado para encontrar seres do sexo feminino e vai ter de aprender a lidar com a gozação dos colegas comedores. Você vai ter que aprender a subjugar, ter preconceito e aceitar o mundo da forma que ele é, porque por sorte você não é mulher. E se um dia sentir um pouquinho de vontade de ser uma, daí você vai sofrer as consequências da homofobia.
Tudo que pode ser feito contra isso e para que até mesmo os homens estejam livres dessa opressão é aceitar a igualdade e viver com mais respeito pelo sexo oposto e com pessoas de sexualidade diferente da sua.

Comece a sentir um pouco de compaixão pelo próximo. Procure entender mais as pessoas ao seu redor. Você vai ver que não há nada de errado em ser mulher, ou gostar de pessoas do mesmo sexo que o seu. Talvez você precise se libertar das correntes que colocaram em você para que liberte as pessoas que você mesmo acorrentou. Ser feminista não é ser homossexual, é ser mais humano. Porque não?



sábado, 10 de agosto de 2013

O papel dos anarquistas do Séc. XXI e uma breve opinião sobre anarcoprimitivismo.



 
          Essa bandeira com esse “A” circulado, nossa, causa arrepio em certas pessoas, nos desinformados, claro.

          Anarquismo, embora a grande maioria da sociedade brasileira, mutilada intelectualmente e intencionalmente por seus governos, demonize essa palavra, dando conotação exclusivamente negativa a ela, muitas pessoas (jovens em sua maioria) estão buscando saber o que ela significa, em todos os sentidos da palavra.

           O anarquismo está em alta! Podemos dizer que é a “nova modinha” da juventude brasileira! E isso é bom, pelo menos pra alguns...
A história do anarquismo ao longo das décadas é feita por fatos, atos e personagens heroicos, não vou cita-los porque são muitos e eu acabaria esquecendo algum ou alguma, não quero cometer essa injustiça.

           Quem já estudou o anarquismo de forma mais aprofundada, sabe que os movimentos anarquistas espalhados pelo mundo foram marcados por atentados terroristas, realizados por anarquistas e contra anarquistas; perseguições e assassinatos de anarquistas; perseguições a grupos e federações anarquistas, etc. Ser anarquista muitas vezes recebe conotação criminosa, erroneamente, e isso mostra que estamos no lado certo da luta!

           Vejo o anarquismo como a única ideologia que incomoda (e muito) os sistemas burgueses capitalistas, o anarquismo é o único movimento que luta pelo bem estar coletivo de uma forma limpa, livre e engajada!

           Temos outros movimentos libertários sim, claro, mas todos os movimentos que conheço, apartidários ou não, tem algum interesse de manipulação pretendido por algum grupo de pessoas ou de grupos partidários, por menor que seja esse interesse. No anarquismo, os interesses são bem explícitos e de interesse coletivo: a igualdade de direitos e a liberdade, em todos os sentidos.

           Algumas pessoas com quem eu converso são contrárias a uma afirmação que defendo abertamente: QUEM VIVE EM ZONAS URBANAS (OU ATÉ MESMO RURAIS, NA MAIORIA) ESTÁ PRESO AO ESTADO E AO CAPITALISMO. A meu ver, a única forma abrupta de se “libertar” completamente da influência do capitalismo e do estado é desistir completamente de sua vida social, abandonar trabalho, estudos, recursos tecnológicos, industriais, etc. e aderir ao que muitos chamam de “Anarcoprimitivismo”. 

                                        Bandeira verde-negra, simbolo do anarcoprimitivismo.     

 

           Os anarcoprimitivistas defendem a tese de que, para sermos totalmente livres, devemos abdicar do uso de qualquer tecnologia moderna, trabalhos remunerados, uso de dinheiro (seja pra qualquer fim, mesmo em beneficio humano), entre tantas outras abdicações.
           Defendem também a tese de que o homem deve plantar sua própria comida, criar ou caçar os animais para sua alimentação, etc. Alguns anarcoprimitivistas mais radicais também são contra o uso do metal, da escrita e afirmam que a criação da agricultura foi, na história da humanidade, o “ponta pé inicial” para a criação dos estados de coerção.

           Defendem também o fato de que, nos primórdios da civilização humana, não existia esse conceito de sociedade, o homem vivia em pequenos grupos (alguns nômades) e que foi exatamente a organização em sociedade que também contribuiu para o “inicio do fim” da liberdade e da igualdade (social, econômica, étnica, etc.). Resumindo, anarcoprimitivistas acham que a melhor forma de se viver o anarquismo é regredir ao estilo de vida dos “homens das cavernas” (na tradução mais simplista da coisa). Prevejo desavenças com anarcoprimitivistas, mas enfim...
           Anarcoprimitivismo até faz sentido, não vou mentir, mas não acho que anarquismo seja exatamente isso, na minha visão, anarquismo é evolução, em todos os sentidos. Se pudermos usar recursos tecnológicos e modernos para o bem da humanidade, por que não usá-los?
           Não querendo ser grosseiro com os anarcoprimitivistas (mas serei, para alguns), vejo o anarcoprimitivismo como uma forma de "fuga das causas coletivas" e regressão! Deixando claro, sou adepto do anarquismo “Black Flag”, ou seja, anarquismo sem vertentes, anarquismo puro, limpo e seco. Em minha opinião, não existe anarco-isso, anarco-aquilo, ou é anarquismo ou não é.
           Mas... Não é porque penso assim que não respeito as vertentes anarquistas de outras pessoas, até porque, anarquismo é exatamente isso: respeito e aceitação à opinião e decisão alheia, e isso eu prático de uma forma bem dedicada e prazerosa!

           Bom, mudando radicalmente de assunto, ou melhor, voltando ao assunto inicial, lhes faço a pergunta referente ao título desse texto: Qual é o papel dos anarquistas do Séc. XXI?
É difícil responder essa pergunta por todos, afinal, cada anarquista (ou neo-anarquista) tem seu modo de ver e de construir o anarquismo em uma sociedade. Eu seria arbitrário se desse aqui uma resposta em nome de todos os anarquistas, por tanto, darei a minha resposta.

            Como eu disse no inicio do texto, estamos presos, de certa forma, ao estado e ao capitalismo, não há como negar. Então, já que somos anarquistas, devemos encontrar uma forma de nos desprender do estado, por fim a ele e, finalmente, instaurar uma anarquia. Mas como fazer isso?
Estamos presos ao estado e ao capital por ligações tão fortes que o fim deles, de forma abrupta, seria um possível desastre, em função da desorganização social ao qual estaríamos propensos.

            A meu ver, no Séc. XXI, onde vivemos em uma sociedade estatal cada vez mais opressora, coerciva, manipuladora e injusta, essa “quebra de correntes” deve ser feita de forma continua e gradativa. Como assim? Eu acredito que a derrubada repentina do estado de uma hora pra outra seria um caos ainda maior e que, para por fim a ele, devemos fazer uma revolução gradativa, a começar por nós mesmos.

            No texto anterior a esse, eu disse que nossas melhores armas são o conhecimento e a informação, e realmente, o papel dos “novos anarquistas do Sec. XXI”, pra mim, é exatamente esse: Disseminar as ideias anarquistas a outras pessoas e não se deixar ser manipulado, e, de vez em quando, quebrar algumas vidraças (rs), somente em casos necessários.
            Como fazer isso? Bom, existem centenas, milhares de formas, mas vou dar alguns exemplos que tenho em mente, alguns que eu até pratico: Criar locais públicos de estudos anarquistas; levar o anarquismo para salas de aula, trabalho, bibliotecas, convívio familiar e social, etc. Aumentar o número de sites e blogs a respeito; divulgar e compartilhar livros e textos de anarquistas, tanto os antigos como os contemporâneos; criar federações, grupos, etc. e, principalmente, participar ativamente das decisões politicas do país e não sair das ruas! Já que não podemos acabar com o estado da noite pro dia, vamos pelo menos fazer dele um “realizador dos ideais anarquistas”, manipula-lo, ao invés de deixar ele nos manipular. Outra coisa: não devemos basear nosso conhecimento e informação apenas por programas e jornalecos da grande mídia, isso é suicídio mental!

           Claro, isso tudo que eu falei, entre outras coisas, também não vai acontecer de uma hora pra outra. Devemos tratar a anarquia como um dever diário, como uma filosofia e um estilo de vida (o que ela já é, na verdade). Temos que levar aos jovens, principalmente, o conceito, as histórias e o real significado da anarquia. Uma ressalva: o que se aprende em escola pública sobre anarquismo é totalmente deturpado, eles mostram apenas os atos violentos praticados por antigos anarquistas, de forma a fazer o jovem aprender que anarquia é apenas uma baderna sem fundamento, isso quando ensinam alguma coisa sobre anarquia, eu, por exemplo, conclui todos os meus anos de ensino em escola pública e não vi nada sobre anarquismo. Salvo as exceções, de outras pessoas, em outras escolas, mas a resposta da maioria é quase unanime quando a pergunta é: O que você viu sobre anarquismo nos anos que você estudou? Quase sempre a resposta é “NADA!”.
  
            Temos que sair da “zona de conforto”, todos que tem uma ideologia libertária. Arregaçar as mangas e fazer a anarquia acontecer, por que esperar que a anarquia aconteça por si só é a mesma coisa que esperar pela volta de Jesus (me perdoem os cristãos, mas minha opinião é essa).


sábado, 3 de agosto de 2013

Informação e conhecimento: Mais eficazes do qualquer Absolut Molotov!






“Veste a Carapuça, joga o molotov”! 

Calma, não se assuste com a frase, embora alguns achem que isso é incitação à violência, a frase anda longe de competir com as propagandas consumistas que entopem os veículos de comunicação diariamente, um incentivo midiático gritante à violência. Claro, o jovem é “atiçado” diariamente a comprar um tênis de 700 reais, por exemplo, quando na verdade 700 reais é o seu salário mensal! Quem não suporta essa pressão midiática, vai partir pro arrebento a fim de conseguir um desses tênis, não justificável, mas isso não vem ao caso, no momento. 

Ah, antes de continuar, é uma grande honra ter sido convidado a escrever nesse blog por nossa parceira de luta, Issa Paz, do grupo Rimologia, fico muito agradecido.



Pra quem já conhece meu grupo de rap PDR, essa frase é citada em uma das minhas músicas e é citada em páginas da internet por algumas das pessoas que ouvem nossas músicas.


Nada mais oportuno pra começar minha participação nesse blog do que escrever um pouco sobre a informação, o pensamento, o conhecimento, ou, melhor dizendo, a prática da busca por conhecimento, que muitas vezes é considerada mais fatigante do que uma tarde de exercícios em uma academia, infelizmente.

Desde crianças, fomos ensinados nas instituições criadoras de “operários robotizados irracionais”, chamadas escolas públicas, que não devemos questionar, duvidar, buscar, argumentar, contra argumentar, pensar, debater, nos manifestar, enfim, não podemos usar nosso cérebro de forma completa!

Desde crianças, nos ensinaram apenas a conseguir um emprego comum e de baixa remuneração, seja ele qual for. Se você conseguir a proeza de ser extremamente aplicado e abrir mão de sua liberdade, poderá galgar cargos melhores e com uma melhor remuneração, mas ainda assim, sem poder fazer uso de seu encéfalo, cuidadosamente lapidado para ser usado apenas como mais um funcionário, operário, etc.



Ensinaram-nos que não se deve ter ambição na vida, que um prato na mesa três vezes ao dia já é o suficiente para sermos “plenamente felizes”, mesmo que nesses pratos não tenham alimento o bastante para saciar sua fome e suprir suas necessidades. Ensinaram-nos que religião e politica não se discutem, que nossos heróis do passado, que contribuíram para o descobrimento e crescimento do país, não eram assassinos, estupradores, torturadores, opressores, inquisidores, entre tantos outros adjetivos imundos! Finalizando, Ensinaram-nos a respeitar e venerar os assassinos de índios e escravos, verdadeiros donos dessa terra onde vivemos hoje.



Fomos “funcionalmente-analfabetizados”, propositalmente por nossos algozes burgueses, fomos privados da busca por informação e conhecimento. Opa, não estou falando que esconderam todos os livros em masmorras trancados a sete chaves, longe disso! Os livros estão nas bibliotecas, inexistentes em áreas de exclusão social; estão nas bibliotecas das escolas particulares, que são abertas aos alunos (obviamente), e também nas bibliotecas de escolas públicas, que geralmente passam a maior parte do tempo trancadas e sem profissionais para atender aos alunos.



Privam-nos da busca por conhecimento, privam-nos de sermos seres humanos plenos. Limitam-nos a simples “neo-escravos” parcialmente libertos, em suas lojas, supermercados, fábricas, indústrias, etc. Ditam o que devemos comer, quando comer e como comer; o que devemos vestir, calçar; aonde devemos morar; como nos comportar em público; qual carro comprar; qual celular comprar. Somos obrigados a produzir lixo, para comprar lixo e entupir o mundo com lixo!

A falta de conhecimento e informação é a forma mais inteligente que nossos inimigos burgueses encontraram para nos “desarmar”, fazendo isso, nós que somos oprimidos, assistimos aos massacres sangrentos promovidos por eles e não nos indignamos, achamos que isso tudo é a “ordem natural das coisas”. A falta de conhecimento te priva de ler o mundo nas entrelinhas, te priva de perceber que todas as mazelas sociais, todos os assassinatos e chacinas promovidos por policias em favelas e todos os crimes motivados pela exclusão social, são promovidos pelo egoísmo e fascismo por parte dos burgueses!




Brasil, 2013, ano de revolução social e de ideias! A felicidade toma conta de todos aqueles que sonharam com o dia em que o povo iria se rebelar e tomar de volta aquilo que sempre foi dele. Mas, isso está acontecendo como deveria?
Explosão de ideologias, de debates, de busca incessante por conhecimento; definições disso, daquilo; pensadores disso e daquilo outro. Tudo ao mesmo tempo!
Anarquia, fascismo, democracia, socialismo, etc. o jovem caiu na real (uma grande parcela, pelo menos) e parou de debater assuntos sem fundamento, procurou estudar e conhecer o que acontece no mundo aonde vive (até que enfim!).


Atrelados a toda essa revolução, surgiram grupos de manifestantes (Black Bloc’s, por exemplo) que adotaram o uso de pedras, paus, barras de ferro e o tão famoso Coquetel Molotov como forma de defesa contra os ataques covardes por parte da força policial militar presente nas manifestações.
É extremamente necessária a reação e o revide aos atos violentos, desumanos e covardes praticados por policiais militares, não só acho necessário como apoio o revide (se eles podem nos cegar com balas de borracha e nos intoxicar com gases lacrimogênio, o que são paus e pedras perto de tudo isso?).

Venho acompanhando tudo isso com atenção e vejo que os ideais de revolução não estão sendo aplicados com tanta precisão, estão focando os protestos em gritos repetitivos e em questões banais. O que deve acontecer agora é uma busca e disseminação de conhecimento e informação, uma busca e disseminação sobre os motivos dessa revolução, buscar entender o motivo de acender o tal molotov, de jogar a pedra, de destruir a fachada de um banco ou prédio público, muitos estão fazendo as ações de forma banal, apenas por fazer.


Peço a quem já tem uma ideologia libertária, que apresente essa ideologia (que geralmente é o anarquismo) a essas pessoas que somente agora estão acordando de um sono profundo, que somente agora estão percebendo o quão sujos, egoístas e desumanos são os burgueses. Se instrua e dissemine a ideologia libertária aos seus vizinhos, amigos, parentes, etc. Essa é a melhor arma que nós temos para destruir o opressor. Não temos que ser uma legião de bípedes jogadores de pedras e molotov’s sem visão política, temos que ser revolucionários conscientes, informados, e, acima de tudo, preparados intelectualmente para essa revolução, que não se resume unicamente em quebrar vidraças e queimar carros, embora essa simbologia seja também extremamente essencial.
Leiam, busquem, duvidem, questionem, se informem, argumentem, perguntem, debatam e sejam revolucionários completos! O que não falta na internet são E-books e textos de pensadores anarquistas, por tanto, aos downloads guerreiros!


Pensar é Coisa de Gente Que Não Tem o Que Fazer...

Geralmente somos obrigados a ter uma ocupação específica que gere renda. Geralmente, essa ocupação numa sociedade pós moderna de princípios capitalistas não exercita o livre pensamento. Aliás, nem ao menos o cogita, visto que devemos nos ferramentar o quanto mais para atingir metas e objetivos em busca de lucro e garantia de nossa sobrevivência. Posso concluir então que o ato de permanecer ocupado é um ato de desqualifica e inibe o pensamento livre. Desse modo, concluo também que a desocupação de funções exploratórias e em jornadas diárias pode contribuir com o livre raciocínio. Por isso decidi que prefiro os desocupados. Os que nada tem a fazer. Os livre de tarefas e opressão. Não digo que sou um deles, aliás, estou longe disso, mas uso a mente em outras funções e o fato de fazê-lo já me torna alternativa em meio à sociedade que vivo. Creio que faltam mais filósofos, faltam mais dissertações, contextos, ideias e pensamentos. Esses seres humanos mudam o mundo, e começam pensando. O próximo passo é o livre debate. Esse sim é transformador e pode levar à ação. Não que tire o conceito de transformação que o pensamento exerce.
Pensando nisso, convidei um grande amigo para abrir esse blog comigo. Mano Droo, que resumiu sua história assim:

"nasci em São Caetano do Sul - SP e fui criado em Guarulhos, também São Paulo. Sempre vivi em áreas de exclusão e opressão, chamadas favelas;  estudei todos os meus anos de ensino em escola pública, sou rapper e tenho um grupo a pouco mais de 1 ano. Bem antes da explosão do Black Bloc no Brasil (quem não conhece, pesquise no Google), eu já me manifestava de rosto encoberto, pelo motivo de que informação subversiva e denúncia contra a burguesia são tratadas como crimes no Brasil, e a pena para esse “crime hediondo” contra a burguesia egoísta, muitas vezes é morte, com direito a desova do corpo em matagais, ocultação de cadáver, esquartejamento, etc. Sou mais um que resistiu às táticas desumanas de “limpeza” étnica-social imposta pelos burgueses."


Enfim, temos agora um blog que desperta o nível de desocupação que o cérebro necessita. O pensamento puramente livre, com contrastes de rebeldia e desobediência à liberdade de expressão consumada.

Bem vindos!