Essa bandeira com esse “A” circulado, nossa, causa
arrepio em certas pessoas, nos desinformados, claro.
Anarquismo, embora a grande maioria da sociedade brasileira, mutilada intelectualmente e intencionalmente por seus governos, demonize essa palavra, dando conotação exclusivamente negativa a ela, muitas pessoas (jovens em sua maioria) estão buscando saber o que ela significa, em todos os sentidos da palavra.
O anarquismo está em alta! Podemos dizer que é a “nova modinha” da juventude brasileira! E isso é bom, pelo menos pra alguns...
A história do anarquismo ao longo das décadas é feita por
fatos, atos e personagens heroicos, não vou cita-los porque são muitos e eu
acabaria esquecendo algum ou alguma, não quero cometer essa injustiça.
Quem já estudou o anarquismo de forma mais aprofundada,
sabe que os movimentos anarquistas espalhados pelo mundo foram marcados por
atentados terroristas, realizados por anarquistas e contra anarquistas; perseguições
e assassinatos de anarquistas; perseguições a grupos e federações anarquistas,
etc. Ser anarquista muitas vezes recebe conotação criminosa, erroneamente, e isso
mostra que estamos no lado certo da luta!
Vejo o anarquismo como a única ideologia que incomoda (e
muito) os sistemas burgueses capitalistas, o anarquismo é o único movimento que
luta pelo bem estar coletivo de uma forma limpa, livre e engajada!
Temos outros movimentos libertários sim, claro, mas todos
os movimentos que conheço, apartidários ou não, tem algum interesse de
manipulação pretendido por algum grupo de pessoas ou de grupos partidários, por
menor que seja esse interesse. No anarquismo, os interesses são bem explícitos e
de interesse coletivo: a igualdade de direitos e a liberdade, em todos os
sentidos.
Algumas pessoas com quem eu converso são contrárias a uma
afirmação que defendo abertamente: QUEM VIVE EM ZONAS URBANAS (OU ATÉ MESMO
RURAIS, NA MAIORIA) ESTÁ PRESO AO ESTADO E AO CAPITALISMO. A meu ver, a única
forma abrupta de se “libertar” completamente da influência do capitalismo e do
estado é desistir completamente de sua vida social, abandonar trabalho,
estudos, recursos tecnológicos, industriais, etc. e aderir ao que muitos chamam
de “Anarcoprimitivismo”.
Os anarcoprimitivistas defendem a tese de que, para sermos
totalmente livres, devemos abdicar do uso de qualquer tecnologia moderna, trabalhos
remunerados, uso de dinheiro (seja pra qualquer fim, mesmo em beneficio humano),
entre tantas outras abdicações.
Defendem também a tese de que o homem deve plantar sua
própria comida, criar ou caçar os animais para sua alimentação, etc. Alguns
anarcoprimitivistas mais radicais também são contra o uso do metal, da escrita
e afirmam que a criação da agricultura foi, na história da humanidade, o “ponta
pé inicial” para a criação dos estados de coerção.
Defendem também o fato de
que, nos primórdios da civilização humana, não existia esse conceito de
sociedade, o homem vivia em pequenos grupos (alguns nômades) e que foi
exatamente a organização em sociedade que também contribuiu para o “inicio do fim”
da liberdade e da igualdade (social, econômica, étnica, etc.). Resumindo,
anarcoprimitivistas acham que a melhor forma de se viver o anarquismo é
regredir ao estilo de vida dos “homens das cavernas” (na tradução mais
simplista da coisa). Prevejo desavenças com anarcoprimitivistas, mas enfim...
Anarcoprimitivismo até faz sentido, não vou mentir, mas
não acho que anarquismo seja exatamente isso, na minha visão, anarquismo é
evolução, em todos os sentidos. Se pudermos usar recursos tecnológicos e modernos
para o bem da humanidade, por que não usá-los?
Não querendo ser grosseiro com os anarcoprimitivistas (mas
serei, para alguns), vejo o anarcoprimitivismo como uma forma de "fuga das causas coletivas" e regressão!
Deixando claro, sou adepto do anarquismo “Black Flag”, ou seja, anarquismo sem
vertentes, anarquismo puro, limpo e seco. Em minha opinião, não existe anarco-isso,
anarco-aquilo, ou é anarquismo ou não é.
Mas... Não é porque penso assim que não respeito as vertentes anarquistas de outras pessoas, até porque, anarquismo é exatamente isso: respeito e aceitação à opinião e decisão alheia, e isso eu prático de uma forma bem dedicada e prazerosa!
Mas... Não é porque penso assim que não respeito as vertentes anarquistas de outras pessoas, até porque, anarquismo é exatamente isso: respeito e aceitação à opinião e decisão alheia, e isso eu prático de uma forma bem dedicada e prazerosa!
Bom, mudando radicalmente de assunto, ou melhor, voltando
ao assunto inicial, lhes faço a pergunta referente ao título desse texto: Qual
é o papel dos anarquistas do Séc. XXI?É difícil responder essa pergunta por todos, afinal, cada anarquista (ou neo-anarquista) tem seu modo de ver e de construir o anarquismo em uma sociedade. Eu seria arbitrário se desse aqui uma resposta em nome de todos os anarquistas, por tanto, darei a minha resposta.
Como eu disse no inicio do texto, estamos presos, de certa forma, ao estado e ao capitalismo, não há como negar. Então, já que somos anarquistas, devemos encontrar uma forma de nos desprender do estado, por fim a ele e, finalmente, instaurar uma anarquia. Mas como fazer isso?
Estamos presos ao estado e ao capital por ligações tão fortes que o fim deles, de forma abrupta, seria um possível desastre, em função da desorganização social ao qual estaríamos propensos.
A meu ver, no Séc. XXI, onde vivemos em uma sociedade
estatal cada vez mais opressora, coerciva, manipuladora e injusta, essa “quebra
de correntes” deve ser feita de forma continua e gradativa. Como assim? Eu acredito
que a derrubada repentina do estado de uma hora pra outra seria um caos ainda
maior e que, para por fim a ele, devemos fazer uma revolução gradativa, a
começar por nós mesmos.
Como fazer isso? Bom, existem centenas, milhares de formas, mas vou dar alguns exemplos que tenho em mente, alguns que eu até pratico: Criar locais públicos de estudos anarquistas; levar o anarquismo para salas de aula, trabalho, bibliotecas, convívio familiar e social, etc. Aumentar o número de sites e blogs a respeito; divulgar e compartilhar livros e textos de anarquistas, tanto os antigos como os contemporâneos; criar federações, grupos, etc. e, principalmente, participar ativamente das decisões politicas do país e não sair das ruas! Já que não podemos acabar com o estado da noite pro dia, vamos pelo menos fazer dele um “realizador dos ideais anarquistas”, manipula-lo, ao invés de deixar ele nos manipular. Outra coisa: não devemos basear nosso conhecimento e informação apenas por programas e jornalecos da grande mídia, isso é suicídio mental!
Claro, isso tudo que eu falei, entre outras coisas,
também não vai acontecer de uma hora pra outra. Devemos tratar a anarquia como
um dever diário, como uma filosofia e um estilo de vida (o que ela já é, na
verdade). Temos que levar aos jovens, principalmente, o conceito, as histórias
e o real significado da anarquia. Uma ressalva: o que se aprende em escola
pública sobre anarquismo é totalmente deturpado, eles mostram apenas os atos
violentos praticados por antigos anarquistas, de forma a fazer o jovem aprender
que anarquia é apenas uma baderna sem fundamento, isso quando ensinam alguma
coisa sobre anarquia, eu, por exemplo, conclui todos os meus anos de ensino em
escola pública e não vi nada sobre anarquismo. Salvo as exceções, de outras
pessoas, em outras escolas, mas a resposta da maioria é quase unanime quando a
pergunta é: O que você viu sobre anarquismo nos anos que você estudou? Quase
sempre a resposta é “NADA!”.Temos que sair da “zona de conforto”, todos que tem uma ideologia libertária. Arregaçar as mangas e fazer a anarquia acontecer, por que esperar que a anarquia aconteça por si só é a mesma coisa que esperar pela volta de Jesus (me perdoem os cristãos, mas minha opinião é essa).




cara, nessa linha do que tu comentou, há um livro muito bom do Hakim Bey chamado "TAZ". Provavelmente tu já deve conhecer. Além deste, e do mesmo autor, há outro livro, este mais voltado à uma determinada prática anárquica, chamado de "Caos e Terrorismo Poético".
ResponderExcluirNo grupo de estudos anárquicos que criamos há algum tempo estamos estudando este autor. Pra quem não conhece, é uma excelente leitura.
Cara concordo em muitas partes com você. Sou bem "Proudhoniano" a respeito da revolução gradual. E sou bem critico ao romantismo revolucionário bakunista que influencia muito a atual juventude,assim como o anarquista terrorista,a meu ver esses conceitos de atuação são historicamente falhos. Crio na Permacultura,no Municipalismo Libertário,No sindicato,na associação,nas federações,Coletivos,Bibliotecas Libertarias e Grupos de Estudos,Bancos Populares sem fins lucrativos como melhor modo de mudança e emancipação social !
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